SIONISMO ALIMENTA GUERRAS CONTRA A IGREJA

by ASCENDENS(Pt.)

 

 

 

Entrevista: RABINO WALTER HOMOLKA, SOBRE A IGREJA CATÓLICA

 

Por: Spiegel Online

Este não é um texto do modernismo, mas de preseguição e combate à Santa Igreja Católica. 

 

 

 

 

 

“Spiegel Online falou com o rabino alemão Walter Homolka sobre porque considera a oração pelos judeus ofensiva e danosa para as relações católico-judaicas.

 

Spiegel Online: Homolka, o senhor e cerca de 1600 rabinos, pelo mundo, estão a protestar duramente pelo uso Vaticano da oração latina da Sexta-feira Santa, onde se lê: “Oremos pelos Judeus. Que nosso Deus e Senhor ilumine seus corações, que eles reconheçam que Jesus Cristo é o Salvador de todos os homens”.

 

Walter Homolka: Ele tenta centrar a atenção em aspectos específicos da sua igreja – esse é o seu dever -. Mas neste caso, ele perdeu a sua sensibilidade. Está insultando aos judeus porque a Igreja Católica, no contexto da Sexta-feira Santa, está uma vez mais rezando para iluminar os judeus, de maneira que nós possamos reconhecer a Jesus como o Salvador. Tal declaração é feita num contexto histórico muito relacionado com a discriminação, a perseguição e a morte. Dado o passo da responsabilidade que a Igreja Católica adquiriu na sua história com o judaísmo, mais recentemente durante o Terceiro Reich, isto é completamente inadequado e deve ser rejeitado em sumo grau.

 

S. O. : Qual é o o problema da nova oração de Bento na frase em latim?

 

W. H. : Ele indica que crê que o caminho da salvação, incluso para os judeus, somente pode ser por meio de Jesus, o salvador. Isto abre as comportas à conversão dos judeus. A internet já está cheia de comentários dos conservadores, os ultra-direita católica, que afirmam: “maravilhoso, agora finalmente podemos ter o sinal para converter judeus”. Este tipo de sinal tem um efeito de provocação extremo nos grupos anti-semitas. A igreja Católica não tem as suas tendências anti-semitas sob controle.

 

S. O. : Então Bento está a promover tendências anti-semitas?

 

W.H. : Pelo menos, ele está aceitando-as.

 

S. O. : Esta versão actual da oração não é inofensiva comparada com a versão original de 1570, que foi utilizada por séculos? Esta sugere que os corações dos judeus estão cobertos por um véu, e que eles diambulam na obscuridade e que estão cegos e são pérfidos?

 

W. H. : Eu considero que também a versão de Bento, é mais uma desafortunada redacção. Ele está fazendo, numa ocasião litúrgica central, neste caso a liturgia de Sexta-feira Santa, uma declaração teológica em que os judeus foram objecto, repetidas vezes, de perseguição e morte na Sexta-feira Santa. Os cristãos, com frequência, traduziram a mensagem da Sexta-feira Santa numa questão: “Onde estão os assassinos de Cristo?”

 

S. O. : Mas esse perigo não foi eliminado há muito tempo?

 

W. H. : Em 2006, o Presidente do Conselho Geral Rabínico da Alemanha, Rabino Henry Brandt, expressou o mesmo em palavras muito claras ao Cadeal Walter Kasper. El afirmou que qualquer aproximação à possibilidade de uma missão pela Igreja para converter os judeus é, em essência, um acto de hostilidade – uma continuação, num nível diferente, dos crimes de Hitler contra os judeus – . Estas são palavras fortes mas honestas. A Igreja Católica deveria reconhecer a fidelidade a Deus, a qual respeita a eleição da nação de Israel como o Seu povo eleito.

 

S. O. : Raras igrejas alemãs utilizaram a versão latina da oração. O protesto do senhor não está a ser exagerado?

 

W. H. : O assunto não é onde esta forma extraordinária de oração será utilizada. O Papa, ao escolher ele mesmo esta redacção, fez uma mudança importante, estabelecendo um precedente, e deu-lhe o seu selo pessoal de aprovação. Ao faze-lo, ele priva o aceitável da forma da oração de 1970 da sua credibilidade. O Papa poderia simplesmente ter utilizado esse texto para a Missa Tridentina: “Oremos pelo povo judeu, o primeiro a escutar a palavra de Deus, que ele possa continuar crescendo no amor do seu nome e em fé com o seu convénio”.

 

S. O. : O cristianismo é uma religião missionária. Não é lógico que também busque a conversão dos judeus?

 

W. H. : Não, porque a controversa Oração da Sexta-feira Santa ignora completamente o status único dos judeus como povo eleito de Deus. Deus nos chamou, a nós judeus, para ser uma “luz para as nações”, assim não queremos certamente a iluminação por parte da igreja Católica. Aqui a irmã menor certamente golpeou uma corda equivocadamente.

 

S. O. : Jesus era judeus e converteu judeus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

W. H. : Jesus adiantou os seus argumentos dentro do contexto de um diálogo interno judaico. O que foi convertido pela Igreja é algo completamente distino. Fez de Jesus, um rabino, uma deidade. Por cima dele, clama que a crucifixão de um rabino é relevante para a salvação pessoal. Tais ensinamentos haveriam de ser novidades para Jesus.

 

S. O. : O senhor percebe a nova Oração da Sexta-feira Santa como uma ofensa para muitos judeus? Com o seu discurso em Regensburg, Bento também feriu os sentimentos de muitos muçulmanos. Que há detrás disto tudo?

 

W. H. : Eu não posso imaginar que estes tivessem sido simples descuidos. O que temos aqui é um capitão na ponte do seu super tanque [supertanker]. Uma outra direcção nova foi estabelecida pelo Concílio Vaticano II. Agora o capitão deseja retomar e estabelecer outro curso novo em pouco tempo. E um ou dois artefactos explosivos são necessários para que o barco estabeleça a nova posição. Para o Papa, a Igreja do Concílio Vaticano II resultou muito débil. Esta é a razão pela qual estamos vivendo estes caminhos massivos na Igreja Católica.

 

S. O. : Mas também vimos desenvolvimentos positivos nas relações católico-judaicas: a admissão de culpa pela Igreja Católica, a visita de Bento à sinagoga em Colónia e o seu encontro em Viena com o Rabino principal. Paul Chaim Eisenberg. E também visitou Auschwitz.

 

W. H. : Em Auschwitz ele propôs uma visão (do holocausto) que soou tendo sido as forças neo pagãs do povo alemão que acabaram por seduzir o povo alemão. Assim, sobre o holocausto, o Rabino Leo Baeck chegou a uma conclusão muito distinta: Qual é o valor de uma Igreja que não pode afirmar os ensinamentos fundamentais de Deus durante o Terceiro Reich? Isto fez que a reclamação por parte do cristianismo, de ter verdade absoluta, seja algo absurdo.

 

S. O. : Contudo, depois da II Guerra Munsidal, a Igreja Católica buscou desenvolver uma boa relação com o povo judeu. Roma reconheceu que o Cristianismo vem do judaísmo; que o judaísmo possui uma promessa de salvação por parte de Deus e que Jesus foi judeu.

 

W. H. : Sim, mas também há sinais contraditórios. Durante a canonização de Edith Stein, que fora assacianda (por Nazis) porque era judia e logo foi elevada a mártir pelos cristãos, parte do objectivo da Igreja Católica foi fazer de um judeu um católico. E agora temos esta afronta com a liturgia da Sexta-feira Santa. Eu aceito-a quando, a partir de uma decisão pessoal, alguém muda de fé – e isto aplica-se em ambos os sentidos. O diálogo cristão-judaico colocou-se em acordo sobre isso. Mas uma esperança colectiva de que o judaísmo reconheça a Jesus como salvador é uma imposição dura.

 

S. O. : Qual é o objectivo de um diálogo, em primeiro lugar, se está claro, partindo do princípio que dos dois lados serão, no final de contas, irreconciliáveis?

 

W. H. : O propósito do diálogo não é a unificação nem a incorporação. Nós queremos aprender a entender o outro. Isso inclui evitar insultos como o que recebemos na forma de oração da Sexta-feira Santa, do Papa. Temo que, pelo lado judeu, os judeus começaram a votar com os seus pés e as pessoas se retiraram do diálogo.

 

S. O. : Como poderão ficar as coisas?

 

W. H. : A Sexta-feira Santa deste ano será um dia negro nas nações entre judeus e católicos. Ainda estamos esperando uma explicação prometida pelo Vaticano. Quatro dos oradores judeus já cancelaram a sua particiapção na Convenção Católica Alemã. Os nervos encontram-se no mais sensível do lado judeu. Há alguns meses, Micha Brumlik, adverteu sobre uma “idade de ferro” e agora cehgou. As relações entre a Igreja Católica e a comunidade judia rapidamente enfrentou uma prova curcial daquele tipo que não se viam já há décadas.”

 

Entrevista realizada por Alexander Schwabe. Traduzida do alamão para inglês por Christopher Sultan, do inglês para o castelhano por Agustin Villalpando/Enkidu Magazine, e do castelhano para português por ASCENDENS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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