MODERNISMO DIFUNDIDO PELA C.E.P. (I)

by ASCENDENS(Pt.)

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SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA

PORTUGAL

BOLETIM DE PASTORAL LITÚRGICA (121 – 122)

Janeiro – JunhoAno 2006

Nome do Artigo: “A LITURGIA EUCARÍSTICA” (pag. 33 a 36)

Autor: J. Ferreira

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“Depois da liturgia da Palavra vem a liturgia da ceia do Senhor, a refeição, de que a oração eucarística foi uma verdadeira “bênção da mesa”.

Na celebração eucarística celebra-se o mistério da Páscoa do Senhor, que Ele instituiu na última ceia e entregou à Igreja para ela o celebra como sinal da sua morte, na qual Ele ofereceu a vida ao Pai em sacrifício de reparação, louvor e acção de graças para salvação de toda a humanidade, “até que Ele venha” no fim dos tempos.

A eucaristia é assim o sacrifício do “entretanto”, que vai desde o calvário até à vinda do Senhor, o sacrifício que acompanha toda a vida da comunidade cristã neste mundo, como corre uma torrente de vida que nasce do coração de Cristo aberto na cruz até desaguar no mar da vida eterna em Deus.

A comunhão é o rito central da celebração da Eucaristia segundo a palavra do Senhor: “Tomais e comei, tomai e bebei”, mas, com o tempo, tornou-se um momento menos participado pelas pessoas, certamente pela consciência que elas muitas vezes têm de não se encontrarem nas devidas disposições espirituais para a receber.

Esta distância em relação à comunhão é, muitas vezes, ainda consequência de uma espiritualidade pouco cristã, como foi o jansenismo, que colocou Deus muito distante do homem, quando Ele próprio Se fez homem em Jesus Cristo. Em reposta ao jansenismo, ocorreu, no século XVII, as revelações do Coração de Jesus a Santa Maria Margarida, numa linguagem o mais humana possível, quando o Senhor lhe mostrou o seu coração, dizendo-lhe: “Eis o coração que tanto tem amado os homens, sem que eles o reconheçam e lhe correspondam”.

Outro sinal da má compreensão da comunhão como parte integrante da missa foi a separação entre uma e outra como se fossem duas realidades autónomas, a ponto de a comunhão ser um rito como que independente da missa, chegando a receber um acto penitencial próprio, o eu pecador me confesso, com a respectiva absolvição: “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós”, repetida do princípio da missa. Isto veio assim até à reforma da liturgia do Concílio Vaticano II.

RITOS DA COMUNHÃO

1 Oração dominical “Pai-nosso” […]

2 Rito da Paz […]

3 A fracção do pão

É um dos nomes primitivos para designar a celebração da missa. Segundo a narração do Novo Testamento, Jesus tomou o pão, partiu-o e deu-o. De partir vem a fracção. Jesus tomou o pão e depois de pronunciar a bênção sobre o pão partiu-o e dando-o aos discípulos disse: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Os cristãos, ao celebraram a Eucaristia repetiam o gesto de Jesus. O partir do pão, que é o gesto mais visível a abrir a refeição, passou a chamar-se simplesmente: Fracção do pão que veio a dar o nome a toda a celebração. Como se pode ler na passagem referida aos discípulos de Emaús: “Eles reconheceram-n’O na fracção do pão” (Lc 24, 35).

O Missal faz assim a apresentação deste momento: “O sacerdote parte o pão eucarístico com a ajuda, se for oportuno, do diácono ou de um celebrante. O gesto da fracção praticado por Cristo na Última Ceia e que serviu para designar nos tempos apostólicos toda a acção eucarística significa que os fiéis, apesar de muitos, se tornaram num só corpo pela comunhão do mesmo pão da vida que é Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo”. Depois num pequeno gesto aparentemente sem explicação, o sacerdote deita uma parte da hóstia no cálice para significar “a unidade do Corpo e Sangue do Senhor, na obra da salvação, isto é, do Corpo de Jesus Cristo vivo e glorioso” (IGMR, 83).

É este rito da fracção e da união do Corpo e Sangue (a commixtio) que é acompanhado do cântico do Cordeiro de Deus.

4 A comunhão

A Palavra do Senhor: “ Tomai e comei, tomai e bebei” encontra agora plena realização e manifesta claramente que a celebração da eucaristia tem a forma de ceia do Senhor. A palavra ceia não está relacionada com a hora da celebração, como o nome português podia lembrar, mas é a transcrição quase literal da palavra latina Caena, que vem já de longa tradição, e nem se vê que pudesse ser substituída pelo nome que é dado em português à refeição que varia conforme a hora em que é realizada.

“É muito para desejar que os fiéis, tal como o sacerdote é obrigado a fazer, recebam o corpo do Senhor com hóstia consagrada na própria missa”, (IGMR, 85) sem recorrer ao sacrário, que, por natureza, é o lugar de Reserva para dar a comunhão noutras ocasiões; a presença do Senhor é a mesma, mas a acção celebrativa não é a mesma.

Nos casos previstos, os fiéis participem também do cálice (cf. IGMR, 283).

“Enquanto o sacerdote toma o sacramento, dá-se início ao “canto da comunhão”, que deve exprimir, com a unidade das vozes, a união espiritual dos comungantes, manifestar a alegria dos corações e realçar melhor o carácter comunitário da procissão daqueles que vão receber a Eucaristia. O cântico prolonga-se enquanto se ministra aos fiéis o sacramento. Procure-se também que os cantores possam comungar comodamente (cf, IGMR, 86).

Se não se canta a antífona que vem no missal, esta pode ser recitada ou pelos fiéis ou por alguns deles ou por um leitor, ou então pelo próprio sacerdote depois de ter comungado e antes de dar a comunhão aos fiéis” (IGMR, 87).

“Terminada a distribuição da comunhão, o sacerdote e os fiéis, conforme a oportunidade, oram alguns momentos em silêncio. Se se quiser, também pode ser cantado por toda a assembleia um salmo ou outro cântico de louvor ou um hino” (IGMR, 88).

5 Oração depois da comunhão

“Para completar a oração do povo de Deus e concluir todo o rito da comunhão, o sacerdote diz a Oração depois da comunhão que termina com a conclusão breve” (IGMR, 99); mas é mais uma anomalia da edição portuguesa do missal, que mais uma vez se afastou da edição latina; mas vivemos ainda na esperança de que neste ponto, como nalguns outros mais se venha a encontrar ainda a devida solução, já várias vezes proposta. E toda a oração se conclui com Ámen da assembleia, como é habitual.

6 Ritos de conclusão

[…]”

(Texto transcrito por ASCENDENS)

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